10 anos de MCU para finalmente chegarmos a esse filme.

Em 2008 saía o primeiro filme do maior império do cinema mundial atualmente. Homem de Ferro foi a abertura mercadológica do Marvel Cinematic Universe. Foi o filme que deu à produtora a noção de que os heróis eram algo a se explorar. Algo que poderia render milhões aos seus cofres, que tinha um apelo gigantesco com grande parte do público de cinema.

Abertura essa que nos trouxe uma enxurrada de filmes baseados nos quadrinhos, tanto da Marvel quanto de outras editoras. É verdade que, no fundo, poucos são os filmes realmente bons dessa leva toda. A grande maioria é mediano, esquecível, ou até bem ruim. Mas nada muda o fato de que todos eles foram muito bem interligados para chegarmos à esse que da o título desse texto.

Vingadores: Guerra Infinita (2018) é a epítome de tudo que já foi construído pela Marvel durante esses 10 anos. Unindo todos os heróis, que por sinal tiveram seus filmes individuais (viu DC?), em uma única história contra um dos maiores vilões de todo o universo dos quadrinhos. O poderoso Thanos.

O filme começa já frenético. Vemos Thanos na nave que saiu de Asgard no final de Thor Ragnarok, só que dessa vez toda destruída. Boa parte dos tripulantes mortos, Loki de refém e Thor completamente derrotado no chão ao lado do grande vilão. Um cenário destruído e até difícil de acreditar, visto o nível de poder dos personagens que ali tripulavam.

Nessa primeira cena já temos uma ideia sólida de toda a motivação do nosso antagonista. Ao mesmo tempo que nos mostra o quão poderoso ele é, também nos indica o seu objetivo e o porque está buscando todas as jóias do infinito, as mais poderosas pedras de todo o universo. Tudo isso em pouco mais de 10 minutos talvez, não tenho a exata minutagem. O que já nos indica uma óbvia evolução para os últimos filmes dos Vingadores: temos um ótimo vilão.

Vingadores-Guerra-Infinita-2018-Thanos

O filme todo se passa nessa vibe frenética. Temos pouquíssimo tempo para respirar, e a todo momento a ação está presente. Mesmo nas partes mais tranquilas, a tensão da ameaça fica nos perturbando o tempo inteiro.

O filme todo gira em torno de como os heróis daqueles mais diversos mundos vão se interligar com a história de Thanos e sua ambição. Os Vingadores na Terra possuem duas das jóias: a do Tempo, que fica com o Doutor Estranho, e a da Mente, que está com o Visão. A Joia do Espaço está no Tesseract, que conforme vimos no último filme do Thor, ficou com Loki. Enquanto a da Realidade ficou com o colecionador no segundo filme do Thor O Mundo e a do Poder em Xandar, como vimos no primeiro Guadiões da Galáxia. A única com paradeiro desconhecido seria a da Alma, mas que Gamora indica que sabe onde está em Guardiões da Galáxia 2.

E isso norteia todo o filme. Fatalmente Thanos e seus exércitos interagem com todos os heróis nas mais diversas paisagens e situações. Se no começo já vemos que ele possui a manopla e a jóia que estava em Xander, logo depois vemos toda a jornada em busca de todas as outras. Conseguem a primeira das jóias logo no começo do filme quando encontram a nave de Asgard. Vão a Terra buscando as duas que ali estão. Buscam a da realidade com o colecionador. E também convencem Gamora a mostrar-lhes como adquirir a da Alma. Tudo isso de maneira absurdamente orgânica, e sem que haja nenhum ‘deus-ex-machina’ bobo no meio do caminho.

Acho que todos tem claro que alguns personagens morrem, afinal estamos falando de um dos maiores vilões da história da Marvel. E não pretendo entregar quais são. O que, talvez, pode ser um empecilho para que o filme seja realmente memorável ainda nem aconteceu na verdade. O próximo filme da franquia, e outros que vierem, que decidirá se ele realmente é um ótimo filme, ou somente algo sem peso algum. Os acontecimentos ao final são corajosos, impactantes, e podem mudar drasticamente o futuro da Marvel no cinema. Mas ainda existe aquele medo de reviverem todo mundo, ignorarem boa parte dos acontecimentos como a Fox fez com X-Men, não é? E aí o peso do próprio filme se esvairia.

Vingadores: Guerra Infinita (2018) é um das melhores coisas que a Marvel fez até agora no cinema. Justamente por carregar tanta bagagem de 10 anos de filmes, além de ter uma ótima execução e um vilão digno de nota. Temos a esperança da vitória, ao mesmo tempo que o medo da derrota, mas também entendendo que existe uma lógica no lado antagonista do filme. Merece cada centavo que você for investir no cinema e, pelo menos por enquanto, é algo absurdamente corajoso e redondinho, como todos nós gostamos.

Título: Vingadores: Guerra Infinita (2018)
Nota: 9,5/10,0 (menos 0,5 pelo potencial de cagar tudo no próximo filme)